Fábrica de “conhecimento”

5kmd0a4rs7pz9gp09w1vubefcA indignação foi tamanha, que não me contive em publicar sobre a peça publicitária da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro intitulada "Nossa linha de produção é simples. Construímos escolas, formamos cidadãos e criamos futuros", cuja imagem ao lado ilustra o significado da frase.

Na tentativa de discutir sobre avanços para a educação, em pensar sobre a utilização de tecnologias no contexto educativo, de inovação e alternativas que possibilitem uma educação mais criativa nas escolas, em que os alunos tenham a oportunidade de reaprender o pensar interrogativo, me deparo com essa imagem, que representa o retrocesso educacional, uma imagem que idealiza um modelo formatado de educação, de pessoas acomodadas e oprimidas, muito confortável para o cenário político não é?

Também me fez recordar Rubem Alves, em seu livro “A Escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir”, em que o poeta educador critica que  

Nossas escolas são construídas segundo o modelo das linhas de montagem. Escolas são fábricas organizadas para a produção de unidades biopsicológicas móveis, portadoras de conhecimento e habilidades. Esses conhecimentos e habilidades são definidos exteriormente por agências governamentais a que se conferiu autoridade para isso. Os modelos estabelecidos por tais agências são obrigatórios, e têm a força de leis. Unidades biopsicológicas móveis que, ao final do processo, não estejam de acordo com tais modelos são descartadas. É a sua igualdade que atesta a qualidade do processo. Não havendo passado no teste de qualidade-igualdade, elas não recebem os certificados de excelência ISO 12000, vulgarmente denominados diplomas. As unidades biopsicológicas móveis são aquilo que recebe o nome de “alunos”.” (ALVES, 2012, p. 38). 

Até quando vamos aceitar passivamente nossos certificados ISO 12000? Até quando vamos nos fazer ausente no pensar e agir sobre nós e sobre a sociedade? Até quando seremos produtos de uma fábrica?

A frase da Secretaria Municipal de Educação do RJ pode ser resumida assim: "Nossa linha de produção é simples. Fingimos que construímos escolas, formatamos os cidadãos e garantimos o nosso (meu) futuro"

A educação carece de uma revolução já!!!

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2 Comments

  1. Gostei da crítica, e concordo com cada palavra! Me lembrou de um documentário muito interessante de 2012, "La educación prohibida" que aborda o tema do sistema "prussiano" de ensino! Agora mais do que nunca precisamos de escolas que possam acompanhar as mudanças da sociedade e principalmente das tecnologias, escola contemporânea para uma sociedade contemporânea!

    Segue link com legendas em português

    https://www.youtube.com/watch?v=-t60Gc00Bt8

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