A V A: vigiar e punir?

Olá pessoal…Vamos interagir??

A V A: vigiar e punir?

coracao-no-estilo-steampunk_23-2147538051Certo dia estava explanando sobre a utilização de Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) para um conjunto de professores/tutores que iriam utilizar essa tecnologia como apoio nos processos educativos de um curso de especialização presencial. Para alguns, o AVA já era familiar, outros professores estavam conhecendo esse recurso pela primeira vez.

Ao que me chamou a atenção a fala de uma professora que fez referência às ferramentas existentes no AVA, como uma forma controlar os alunos. Na sua perspectiva, o AVA é um meio de empoderar o professor de ferramentas para controlar os alunos, vigiá-los e conseguinte aplicar as possíveis penalidades.

Pela fala da professora é possível entender que as ferramentas que estão ali, no AVA, carregam o propósito de “vigiar e punir”, fazendo uma breve alusão a Foucault, isto é, exercer o poder para produzir sujeitos capazes de funcionar como engrenagens da nova sociedade.

É interessante deparar com outras perspectivas e compreensões a cerca de uma temática que lidamos cotidianamente, isso nos faz repensar sobre nossos pensamentos e alguns entendimentos pré-existentes.

No entanto, recordo que sobre essa questão evidenciada pela professora, respondi que um AVA panóptico, dotado de ferramentas que possibilitam ao professor vigiar o aluno, pode também ser compreendido de outra maneira. Afinal, as ferramentas estão naquele espaço, mas a questão não são elas em si, mas como nos apropriamos desse aparato técnico, e ainda, qual o significado que atribuímos a elas.

Entre vigiar, eu prefiro fazer uso desses recursos para ACOMPANHAR os alunos. Se o Ambiente Virtual me oferece meios de acompanhar o desenvolvimento e participação de meus alunos, porque eu usaria isso para vigiar? Creio que a conotação é outra, acompanhamento é ação necessária dentro de um AVA, em especial quando agimos em prol do aprendizado.

Por isso, a questão não é ferramental, mas sim pedagógica, se minha prática docente é tradicionalista, certamente irei utilizar o AVA para reforçar minhas concepções, certamente irei vigiar e punir àqueles alunos que não aprenderam, e o escopo ferramental será meu auxiliar para realizar essa ação.

Mas veja, a ação é do professor é sua práxis pedagógica (e/ou projeto de curso) que determina o que fazer com os recursos ferramentais do AVA e não o contrário. Então, entre vigiar, posso optar por acompanhar, entre punir faço opção por apoiar e incentivar.

A culpa não é do AVA!

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