Ensino Híbrido/Educação Híbrida

O ensino híbrido, ou educação híbrida, vem ganhando espaço no cenário educacional, em especial pela sua interface com os recursos tecnológicos e a fina sintonia com a cultura digital. É sabido que o ensino híbrido se institui pela aprendizagem ativa, na qual estudantes são protagonistas de seu percurso de estudo e os professores mediadores do conhecimento. Nesse modelo educativo, a aprendizagem ocorre pela descoberta, investigação e resolução de problemas.

Então, a educação híbrida tem como pauta principal de seus métodos e situações educacionais, a aprendizagem do estudante. O aprender é ação que faz valer todo o esforço empreendido pelas práticas do hibridismo na educação, nesse sentido, é apropriado compreender que a aprendizagem não se limita apenas na cognição do estudante, mas vai além, coadunando com a teoria socioconstrutivista.

Modelos híbridos conciliam que a aprendizagem considera o estudante como sujeito holístico, plural, que carrega uma história de vida e carga emocional, por isso é personalizado, diferenciado e individualizado. Pela perspectiva sócio-construtivista, aprender é um processo construído e mediado, que leva em conta aspectos sociais e históricos do sujeito que aprende. Portanto, é a aprendizagem que considera o sujeito em sua multiplicidade cognitiva, social, histórica e cultural e que culmina no desenvolvimento do estudante. (VYGOTSKY, 2007).

Umas das características marcantes da educação híbrida, diz respeito ao desenvolvimento da autonomia do estudante, ele é sujeito do seu aprendizado, suas escolhas e suas necessidades são respeitadas. Contudo, é importante destacar que essa autonomia não pode ser encarada como sinônimo de abandono, transpondo toda a responsabilidade do estudo para o estudante, e nesse nexo a escola se exime das responsabilidades educacionais. Mas, ao contrário disso, a autonomia é processual, construída e desenvolvida com estudantes e professores, numa relação intrínseca de pensar e fazer conjuntivo.

Interessante considerar, ou até mesmo desmistificar o entendimento diminuto de que o ensino híbrido se resume apenas no uso de tecnologias digitais, e com isso instaura-se uma espécie de convergência entre as modalidades presenciais e a distância. O ensino híbrido vai além, pois considera o movimento da hibridização nos processos educativos em geral, pela combinação de metodologias de ensino, de currículos escolares, de didáticas e práxis pedagógicas, hibridizar a educação é repensá-la num fluxo contínuo de interações e relações entre práticas e pessoas.

Nessa esteira de compreensão, as tecnologias digitais são entendidas sob outro olhar, que ultrapassa a ideia de apoio ou ferramenta que poderá auxiliar o fazer educativo diferenciado, e passa a se integrar na cultura da escola, se fazendo presente no processo de ensino do professor, juntamente com o processo de aprendizagem pelos estudantes. É nesse entendimento simbiótico das tecnologias com a educação, que faz emergir a compreensão mais clara do que venha a ser o ensino híbrido. 

Dessa forma, a educação híbrida emerge como possibilidade de (re) pensar e (re) planejar os processos educativos, afastando-se de modelos industrializados e massificados de escola, mas com proximidade e afinidade na personalização da aprendizagem do estudante, fazendo adoção de recursos tecnológicos como facilitadores dos processos do ensinar, mas, sobretudo, do aprender. 

Assim sendo, é presumível que a educação carece de reinvenção, em pouco tempo esse sistema educacional fechado e ocluso, não dará mais conta dos estudantes integrantes da cibercultura, que transitam pelas redes do ciberespaço, num contínuo movimento de ação e interação. As paredes das escolas não servirão mais ao seu propósito de fechar, compartimentar e recolher esses estudantes, pois as infovias digitais já estarão estabelecidas e esses mesmos estudantes estarão onde desejarem estar. É a navegabilidade em ação, é o ensino híbrido crítico como uma aposta para a educação futura…

Para saber mais:

ENSINO HÍBRIDO: ORGANIZAÇÃO E SISTEMATIZAÇÃO DE CONCEITOS COM BASE EM REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA

Referência: VYGOTSKY, L. S. A Formação Social da Mente – o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. Org. COLE, M. et al. 7ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007. 

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