O Professor no Contemporâneo Digital

Muito se fala sobre o papel do professor na contemporaneidade, em especial, pelo fato dele ter que lidar com os diversos e profusos contextos emanados nos espaços escolares e atinentes à cultura digital. Esses professores, em grandes proporções, vivenciam um cotidiano complexo e dual em sua práxis pedagógica, de um lado se depararam com os estudantes da geração digital, que chegam às universidades, tomados por uma rotina de intenso uso de tecnologias e, de outro lado, convivem com a estrutura universitária regida ainda por um sistema educacional calcado no tradicionalismo e práticas verticalizadas. 

Nesse emaranhado de realidades, o professor, muitas vezes, precisa buscar alternativas, ainda que desassistido, para lidar com essa contextura tecnológica de maneira discernente e construtiva, visando o pleno aprendizado de seu estudante. Sabe-se que não é uma tarefa fácil para o professor, é um desafio diário e presente em seu cotidiano pedagógico, mas que se faz necessário, em especial, ao tomar por premissa que esses jovens estudantes ultrapassaram a barreira do analógico. 

No entanto, é oportuno dizer que as tecnologias digitais, inseridas no espaço escolar, não podem figurar-se por um ditame tecnológico para o professor, como algo que direciona e molda sua didática, tampouco essas tecnologias suplantam a elevada importância do professor na ambiência escolar, na sala de aula, são, portanto, recursos e artefatos culturais que emergem como alternativas de aprimoramento e favorecimento da profissão docente em sintonia com a sociedade atual. 

Diante disso, as competências do professor não cindem apenas no uso ou manipulação de artefatos tecnológicos como ferramentas dinamizadoras para sua prática, mas é preciso esforço para compreender tais tecnologias digitais, também, pela dimensão política, econômica e ética, articuladas ao currículo e ao projeto pedagógico de um curso. A cultura digital crítica é, também, um exercício para o professor. 

Desse modo, o professor não se coloca no espaço escolar como um mero coadjuvante das tecnologias, ao contrário, dele parte o olhar cuidadoso e analítico com intuito de perceber as dimensões interpostas em um determinado recurso tecnológico, para, então, trabalhar com esse artefato de modo crítico e indagativo junto aos seus estudantes, num viés construtivo, dialógico e de politização. 

São nessas condições entre o on-line e off-line, entre a sala de aula e o espaço da rede digital, que o professor precisa transitar de maneira ordenada e sistêmica, para acompanhar o movimento manante dos jovens estudantes. É pela dinâmica da navegação, seleção consciente de informações da internet e uso assertivo e crítico de dispositivos digitais, que ele conseguirá favorecer o seu ensino, mais ainda a aprendizagem da chamada geração digital. 

De acordo com Zuin (2017), é dessa forma que os professores, por meio das mediações das tecnologias virtuais, “auxiliam o processo pelo qual os alunos voltam a ter um contato corporal com as próprias ideias, os mesmos alunos que cada vez mais dominam os segredos do espaço virtual” (ZUIN, 2017, p. 153). Para o autor, faz-se conveniente repensar o ideário de autoridade do professor, em tempo da disseminação da concentração dispersa, a sua figura como mediador de relações conceituais se torna fundamental para o desenvolvimento do processo ensino aprendizagem.

Texto retirado da Tese: CULTURA DIGITAL E APRENDIZAGENS: A TRANSCENDÊNCIA DOS ESPAÇOS INSTITUÍDOS NA FORMAÇÃO NO ENSINO SUPERIOR

Referência: ZUIN, A. A. S. Cyberbullying contra Professores: dilemas da autoridade dos educadores na era da concentração dispersa. São Paulo: Edições Loyola, 2017.

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